quarta-feira, 19 de novembro de 2025
SPEAK NO EVIL
terça-feira, 18 de novembro de 2025
Robô Selvagem
Waldner Celso Dantas Filho
Uma robô acorda em uma ilha remota após uma tempestade e, seguindo sua programação, assume a tarefa de cuidar de um filhote de ganso após um desastre. Essa premissa simples à primeira vista de Robô Selvagem (2024), criada pela brilhante mente por trás de Lilo e Stitch (2002) e Como Treinar o Seu Dragão (2010), Chris Sanders, esconde várias camadas de um belíssimo filme em seu decorrer, tanto visualmente quanto narrativamente. Baseado em um livro de mesmo nome, acompanhamos Roz (Lupita Nyong'o), após cair no mar, aprendendo a se adaptar em uma ilha deserta, aos poucos, criando laços com os animais da ilha, com destaque para sua relação familiar envolvendo Bico Vivo (Kit Connor) e Astuto (Pedro Pascal).
Robô Selvagem é uma obra de arte em todos os sentidos. Sua história simples, mas emocionante, é um dos pilares do filme, sendo contada de forma objetiva, explorando todas as facetas dos personagens e dando o destaque necessário à trama presente, impulsionada pela trilha sonora tocante que atinge o espectador, marcando com suas mensagens de peso. Não se definir pelo que se foi programado para fazer e que às vezes não tem problema sair da programação; laços são mais importantes para família até mesmo que a espécie, a distância e o tempo, pois quem ama, “ouve com o coração”. São, não só, ensinamentos que o espectador leva ao assistir o longa, como são todas questões enfrentadas pelos personagens ao longo da trama.
Para além da história, o aspecto visual é o ápice do filme, destacando-se até mais que outros pontos fortes do mesmo. O design de produção de Raymond Zibach e a fotografia de Chris Stover criam cenas dignas de quadros, o estilo da arte usado na animação, que simula uma pintura a óleo feita à mão, junto à composição de cena resultam em uma beleza refrescante para os olhos como poucos filmes acertam em fazer. No fim, Robô Selvagem se torna uma experiência que desponta beleza e emoção, sendo definitivamente uma obra prima digna e que responde à altura da experiência de ser assistida.
UMA BATALHA APÓS A OUTRA
Adquirir consciência política pode ser um processo bastante doloroso. Muitas vezes, caímos em um caminho sem volta e, nesse caminho, a esperança e a desesperança acabam brigando constantemente para ver quem fica por cima. Uma Batalha Após a Outra (2025), o novo filme do Paul Thomas Anderson, famoso diretor de Magnólia (1999) e Sangue Negro (2008), nos apresenta uma história que dialoga justamente sobre essa questão, além de construir uma narrativa, sem arrodeios, sobre as batalhas que decidimos travar.
O enredo é baseado no livro Vineland, de Thomas Pynchon, e conta a história de Bob Ferguson (Leonardo Dicaprio), um revolucionário que se desloca da luta armada para se esconder com sua filha, Willa (Chace Infiniti), de um coronel supremacista branco, interpretado por Sean Penn. Dezesseis anos depois, o agora alcoólatra, paranóico e ainda perseguido Bob, precisa correr contra o tempo para manter a salvo a sua filha e alcançar uma paz que talvez nunca chegue.
É partindo dessa premissa que PTA (Paul Thomas Anderson) esmiúça, ao longo de quase três horas de duração, sobre o impacto do ser humano no mundo e suas consequências. Esse impacto, e tudo que circunda as ações motivadoras dos personagens no filme, são acentuadas por um roteiro firme, mas caricato. O diretor consegue separar os ideais dos heróis e dos vilões na narrativa, mas peca ao representar uma luta armada inconsequente e amadora em um cenário complexo e retaliativo. Quase como se os protagonistas estivessem brincando o tempo todo.
Ele considera, a nível de exemplo, que os membros em um grupo de heróis, ou naqueles que possuem um ideal mais nobre, existem pessoas que estão ali mais pelo fetiche da adrenalina e da violência, do que pela luta de um grande ideal. Que a completude interna só depende diretamente do extermínio do outro. A crença ilusória que só terão paz quando o inimigo for eliminado. É um filme longo, mas bastante frenético, com muita ação, humor e atuações hipnotizantes e que merece ser visto.




