terça-feira, 30 de junho de 2026
QUERÔ (2007)
sábado, 27 de junho de 2026
MINHA VIDA DE ABOBRINHA (2016)
Minha Vida de Abobrinha é um filme de animação em stop motion lançado em 2016 e dirigido por Claude Barras. Apesar de ser uma animação, a obra aborda temas profundos e sensíveis, como abandono, violência doméstica, luto, adoção e a importância dos laços afetivos. O filme mostra que, mesmo diante de situações difíceis, é possível encontrar esperança, carinho e um novo começo.
A história acompanha Icare, um menino conhecido pelo apelido de Abobrinha. Após um acidente que causa a morte de sua mãe, ele é levado para um orfanato, onde acredita que nunca mais será feliz. No início, Abobrinha sente medo, tristeza e dificuldade para se relacionar com as outras crianças. No entanto, aos poucos, ele percebe que todos os colegas também carregam histórias de sofrimento e abandono. Essa convivência faz com que eles criem uma amizade sincera, baseada na compreensão, no respeito e no apoio mútuo.
Um dos pontos mais marcantes do filme é a forma delicada com que trata assuntos tão complexos. Em vez de focar apenas na tristeza, a narrativa mostra a capacidade das crianças de superar as dificuldades por meio da amizade, do carinho e da confiança. A chegada de Camille, uma menina que também enfrenta problemas familiares, fortalece ainda mais essa mensagem e desperta em Abobrinha sentimentos de afeto, esperança e coragem para acreditar em um futuro melhor.
A animação em stop motion é outro grande destaque da obra. Os personagens possuem um visual simples, mas muito expressivo, permitindo que o público perceba suas emoções com facilidade. Os cenários, a iluminação e a trilha sonora contribuem para criar uma atmosfera sensível e acolhedora, tornando a experiência ainda mais emocionante. Mesmo sendo um filme curto, com cerca de uma hora de duração, ele consegue transmitir mensagens profundas e provocar reflexões importantes.
Além do aspecto artístico, Minha Vida de Abobrinha também faz uma crítica à realidade enfrentada por muitas crianças que sofrem com o abandono, a violência e a falta de estrutura familiar. Ao mesmo tempo, mostra a importância da solidariedade, do cuidado e da adoção como formas de oferecer uma nova oportunidade para quem passou por momentos difíceis.
Em conclusão, Minha Vida de Abobrinha é uma animação emocionante, sensível e inspiradora. O filme ensina que o amor, a amizade e a empatia podem transformar vidas, mesmo depois de experiências dolorosas. É uma obra que emociona espectadores de todas as idades e deixa uma importante mensagem sobre esperança, superação e a importância de acreditar em novos recomeços...
terça-feira, 23 de junho de 2026
Druk
Michael (2026)
domingo, 21 de junho de 2026
Hamnet_2
Hamnet é um drama histórico que acompanha Agnes e William Shakespeare diante da perda de seu filho, Hamnet. A obra utiliza uma narrativa sensível e contemplativa para explorar o luto, o amor familiar e a forma como a arte pode transformar a dor em algo coletivo. Embora se passe em um contexto histórico específico, o filme aborda sentimentos profundamente universais, permitindo que o público se conecte com seus personagens de maneira íntima.
No início, o filme pode parecer um pouco confuso. O ritmo é interessante, mas há muitas coisas acontecendo rapidamente dentro de cenas extremamente lentas, o que dá a sensação de que algo foi perdido ou de que a história começou no meio. Entretanto, conforme as crianças passam a ocupar um espaço maior na narrativa, tudo se torna mais envolvente. O filme faz um trabalho impecável ao construir a conexão entre os filhos e seus pais, criando momentos tão profundos que é impossível não se apegar a eles. A relação familiar é retratada com tanta sensibilidade que sentimos aquelas crianças como se também fossem nossas. Quando Hamnet se sacrifica pela irmã, a cena ganha um peso emocional devastador e marca o ponto em que a história realmente atinge seu auge.
O momento mais bonito da obra, porém, está na trajetória de Agnes. Sua reação à peça inspirada na perda do filho é extremamente emocionante: primeiro, a revolta por ver algo tão pessoal exposto ao público; depois, a compreensão da beleza presente naquele ato, ao perceber desconhecidos chorando e lamentando “seu filho” como se ele também pertencesse a eles. Essa transformação mostra como a arte pode preservar memórias e conectar pessoas através da dor. Hamnet é um filme profundamente humano, delicado e emocionante, capaz de arrancar lágrimas e permanecer na memória muito depois dos créditos finais. E isso por si só já demonstra o quão bela e poderosa essa obra é.
sábado, 20 de junho de 2026
Fallen Angels (1995)
Escrito e dirigido pelo chinês Wong Kar-Wai, Fallen Angels foi pensado como um terceiro núcleo no filme Chungking Express. Porém, foi apenas nesse filme que o cineasta pode contar essa história. Passado inteiramente a noite, a obra trás uma estética cheia de personalidade, sempre com cenas escuras, em ambientes estranhos e um ritmo digno de videoclipe dos anos 2000.
A história tem uma estrutura parecida com a de seu “irmão” Chungking Express, trazendo duas histórias distintas, mas nos últimos minutos conectando-as.
O Maior trunfo do cineasta está em como ele cria cenas tão impactantes de forma tão simples. Em vários momentos estamos vendo apenas um ou dois personagens conversando ou fazendo algo extremamente simples, mas tudo é filmado e montado de forma que parece a coisa mais interessante e estilosa do mundo. Chega a parecer um videoclipe de uma hora e meia.
Outro ponto super positivo aqui é como ele dosa bem a comédia do drama. No primeiro núcleo apresentado, vemos a história de um criminoso e sua parceira, onde ele faz o trabalho sujo de matar pessoas e ela faz o trabalho de limpar a sujeira da casa dele. Eles quase nunca se veem, mas ela desenvolve uma grande paixão por ele.
Já no outro núcleo, acompanhamos um homem que não consegue falar e é super peculiar. Uma das ideias dele é de que precisa trabalhar, mas faz isso invadindo estabelecimentos na madrugada e forçando quem encontra a pagar por seu serviço. E tudo isso é feito com um timing de comédia absurdo, onde eu gargalhava sempre que ele estava em cena.
No fim, Fallen Angels é uma obra que consegue entregar tudo que propõe, e assim se torna um clássico para o cinema de Hong Kong e para o cinema melancólico mundial, até hoje servindo como referência e conquistando as novas gerações.
Dias Perfeitos (2023)
Dias Perfeitos (Perfect days, 2023), dirigido por Wim Wenders, é uma obra que transforma a simplicidade cotidiana em uma profunda reflexão sobre existência, tempo, felicidade e solidão. Longe das narrativas tradicionais baseadas em grandes conflitos ou reviravoltas dramáticas, o filme aposta na contemplação e na observação dos pequenos gestos que compõem a vida de seu protagonista, Hirayama. E entrega que mesmo os grandes silêncios, perduram grandes significados.
O aspecto mais marcante do filme é a maneira como ele encontra beleza na rotina. Hirayama trabalha limpando banheiros públicos em Tóquio, uma profissão frequentemente invisibilizada e socialmente desvalorizada. Mesmo tendo a rotina que muitos não acham ideal para se alcançar a ideia de felicidade, Hirayama desconstrói toda essa visão ao mostrar que é possível apreciar as mais pequenas das belezas cotidianas tendo uma vida extremamente dinâmica. A câmera de Wenders acompanha seu dia a dia com respeito e sensibilidade, humanidade, revelando dignidade, significado em tarefas consideradas banais.
A repetição dos mesmos hábitos, acordar cedo, cuidar das plantas, ouvir músicas em fitas cassete, ler livros antes de dormir, não é apresentada como uma prisão, mas como uma escolha consciente. Como um lugar de se apreciar sua paz, calmaria e o desfrutar o real significado de se manter vivo e não sobrevivendo. O filme questiona a ideia contemporânea de que a felicidade depende de constantes mudanças, produtividade extrema ou sucesso financeiro. Mas Hirayama rompe essa narrativa ao mostrar que até os dias mais cansativos, mais tenebrosos, mas significativos, carregam a beleza e o poder de estar conscientemente em paz ao viver sua vida sem as amarras banais dos pensamentos negativos.
Outro elemento fundamental é a economia de diálogos. Hirayama fala pouco, mas sua interioridade é revelada por meio de expressões, olhares e gestos. O silêncio representa em grande parte do filme como um resposta, curta, simples e direta. Ele não representa vazio; pelo contrário, funciona como espaço de reflexão.
Nesse sentido, a atuação de Koji Yakusho é extraordinária. O personagem dele se conecta com o mais frágil até o mais forte dos seres humanos, ao abdicar de um futuro considerado próspero para enfim alcançar sua liberdade espiritual. Sem grandes discursos, ele constrói um personagem complexo, capaz de transmitir serenidade, melancolia, satisfação e sofrimento apenas através da expressão facial. O espectador é convidado a observar e interpretar, em vez de receber explicações prontas.
O filme também simboliza o conceito japonês de Komorebi: a luz do sol que é filtrada pelas copas das árvores, criando um jogo contínuo de luz e sombra. Esse fenômeno representa a beleza e a poesia encontradas na impermanência do momento presente. Mais do que um fenômeno da natureza, o komorebi revela uma forma de enxergar o mundo. A palavra japonesa descreve a luz do sol atravessando as folhas das árvores, mas seu significado vai além da imagem: ela traduz a sensibilidade de perceber a beleza nos instantes mais simples e passageiros da vida. É um convite à contemplação, à presença e ao reconhecimento de que os pequenos momentos também carregam significado.
Essa ideia dialoga diretamente com o filme Dias Perfeitos, de Wim Wenders. Assim como o komorebi, a obra encontra poesia em gestos cotidianos que costumam passar despercebidos: a luz entrando pela janela, o balanço das árvores ao vento, o café tomado em silêncio ou o trajeto diário para o trabalho. O protagonista não busca grandes acontecimentos para dar sentido à vida; ele encontra plenitude justamente na atenção dedicada aos detalhes. Nesse sentido, o komorebi não é apenas uma imagem presente no filme, mas uma filosofia que atravessa toda a narrativa: a de que a felicidade pode estar escondida nos breves feixes de luz que iluminam a rotina.
Embora pareça um filme simples, Dias Perfeitos apresenta uma crítica sutil à sociedade atual. Em uma época marcada pela aceleração, pelo excesso de estímulos e pela busca incessante por resultados, Hirayama vive em outro ritmo. Ele valoriza o presente, aprecia a natureza e encontra prazer em experiências simples.
O contraste entre Hirayama e outros personagens evidencia diferentes formas de encarar a vida. Enquanto alguns vivem preocupados com dinheiro, relacionamentos ou expectativas sociais, ele parece buscar uma existência baseada na contemplação e no equilíbrio interior.
Entretanto, o filme não idealiza completamente esse estilo de vida. Aos poucos, surgem pistas sobre um passado doloroso e sobre escolhas que envolveram renúncias. A tranquilidade do protagonista também carrega traços de isolamento e solidão.
Um dos grandes méritos da obra é evitar respostas fáceis. Hirayama é feliz? O filme nunca responde claramente.
Por um lado, ele demonstra satisfação com sua rotina e parece ter encontrado paz em sua simplicidade. Por outro, há momentos em que a tristeza emerge discretamente, sugerindo perdas, arrependimentos ou vínculos rompidos.
Essa ambiguidade alcança seu ponto máximo na cena final. O longo enquadramento do rosto de Hirayama revela emoções contraditórias: ele sorri, chora, reflete e continua seguindo em frente. A sequência sintetiza a principal mensagem do filme: a vida não é composta apenas de felicidade ou tristeza, mas da coexistência de ambas.
A fotografia utiliza enquadramentos limpos e uma iluminação naturalista que reforçam a sensação de intimidade. A trilha sonora, composta por clássicos do rock e do pop ocidental das décadas de 1960 e 1970, funciona como extensão da personalidade do protagonista e contribui para a construção de uma atmosfera nostálgica.
O ritmo lento pode afastar espectadores acostumados a narrativas mais dinâmicas. Porém, essa lentidão é uma escolha estética coerente com a proposta do filme: desacelerar o olhar e permitir que o público experimente o tempo da mesma forma que Hirayama.
Dias Perfeitos é um filme profundamente humanista que propõe uma reflexão sobre o significado da felicidade em um mundo acelerado. Ao transformar ações comuns em momentos de contemplação, Wim Wenders demonstra que a beleza pode estar escondida nos detalhes mais simples da vida.
Mais do que contar uma história, o filme convida o espectador a repensar sua relação com o tempo, o trabalho, os afetos e a própria existência. Sua maior força está justamente em mostrar que os “dias perfeitos” não são aqueles livres de sofrimento, mas aqueles em que somos capazes de encontrar sentido mesmo em meio às imperfeições da vida.
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Juno (2007)
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Obsessão
A Sociedade do Anel

Vidas Passadas

As patricinhas de Beverly Hills
American Horror Story
O Declínio: As Falhas Estruturais e o Vazio Narrativo
terça-feira, 16 de junho de 2026
O Diabo Veste Prada 2
LITTLE WOMEN
O filme Little Women, traduzido como Adoráveis Mulheres, foi lançado em 2019 pela diretora Greta Gerwig e é mais uma das várias adaptações do livro “Mulherzinhas” da escritora Louisa May Alcott. A história apresenta a vida das 4 irmãs March, Jo (Saoirse Ronan), Amy (Florence Pugh), Meg (Emma Watson) e Beth (Eliza Scanlen) contada com sensibilidade e intimidade como se fosse um diário das vivências da família.
A história, apesar de ocorrer em meados de 1860, é abordada de forma bastante atual com o olhar que Greta aderiu para a obra, tirando o que poderia ser mais um filme de época com probabilidade de se tornar “arrastado” e adicionando atemporalidade e dinamicidade para a trama.
A diretora também traz uma fotografia e temporalidade da ordem dos fatos muito interessante e bastante conectada com a história ao utilizar colorações mais quentes para cenas do passado e tons mais frios para os momentos do presente, mostrando o sentimento de nostalgia e felicidade para as situações da juventude. Isso mostra a liberdade que Greta teve ao construir a história diferente do que foi escrita. Ainda ligada a fotografia, também é possível perceber a conexão da sonoplastia com o que as situações, juntamente com a colorimetria, transmitem para o telespectador, trazendo suavidade e animação para as cenas do passado, ou seja, mais quentes e melancolia para as do presente, então tons mais frios como citado anteriormente.
Pelo filme utilizar de uma temporalidade despadronizada, também é possível perceber o Paralelismo, abordado na obra “A arte do cinema: uma introdução” de David Bordwell e Kristin Thompson. Essa forma de narrativa tem como objetivo utilizar comparativos em ações, escolhas e cenas entre personagens e sem dúvidas, a diretora faz bastante uso desse formato ao “brincar” com essas trilhas sonoras, cores e cenas do passado que tem referência ou similaridades no presente, o que já contribui para um diferencial não só entre as próprias adaptações já feitas do livro, mas também sai do tradicional que é produzido na indústria cinematográfica.
O elenco, que não deve ter sido barato, faz compensar com a entrega espetacular dos atores que não só faz o telespectador se sentir parte daquela vivência, mas também faz sofrer e torcer pelo sucesso dos personagens. Apesar do claro protagonismo da Jo, é notório que ainda sim cada um dos participantes conseguiu ter seu destaque com o desenvolvimento e atuação.
O final do filme traz uma quebra de expectativa ao ser um final aberto saindo do que o livro aborda e sendo totalmente realizado por escolha da Greta. Quando a obra é finalizada o telespectador não sabe se aquilo que foi apresentado realmente aconteceu ou se foi uma realidade alternativa acrescentada pela diretora que, para alguns, não foi bem aceita.
Mas mesmo com em média 7 adaptações da história para as telas, por que a Greta teve tanto destaque? Todas essas mudanças e liberdade que construiu em seu filme alteraram a essência do livro ou potencializam o que era bom? Será que o final em aberto escolhido pela diretora foi a melhor escolha? Apesar desses questionamentos não se pode negar que é sim um filme cativante, mesmo sendo de época traz apontamentos e inovações que persistem até hoje.
Hamilton












