Lançado em 2016 e dirigido por Denis Villeneuve, A Chegada é um filme de ficção científica que se destaca pela abordagem sensível e filosófica diante de um tema frequentemente explorado com foco na ação: o contato entre humanos e seres extraterrestres.
Baseado no conto “Story of Your Life”, de Ted Chiang, o longa narra a história da linguista Louise Banks, chamada pelo governo norte-americano para decifrar a linguagem de alienígenas que aterrissam na Terra. A partir desse enredo, o filme constrói uma reflexão profunda sobre comunicação, linguagem e o próprio sentido da existência.
Louise é uma personagem intrigante justamente por ser uma estudiosa da linguagem, mas ter uma postura introspectiva, melancólica e aparentemente pouco sociável. Essa contradição entre sua formação — que lida com o ato de comunicar — e sua personalidade reservada cria um equilíbrio interessante, revelando que compreender a linguagem do outro é também um processo de mergulho interno. Sua jornada é marcada pelo silêncio, escuta atenta e um amadurecimento emocional que transcende o papel técnico que lhe é atribuído inicialmente.
A construção visual do filme reforça essa atmosfera reflexiva. Villeneuve trabalha com pausas narrativas que funcionam como momentos de respiro, em que o som ambiente e a trilha sonora minimalista se destacam. Nesses trechos, o foco não está na ação, mas na contemplação. O enquadramento e a paleta fria — tons acinzentados e azulados — assumem o protagonismo, criando cenas que convidam o espectador à introspecção. Essa escolha estética transforma o visual em elemento narrativo, capaz de expressar o estado emocional dos personagens e o clima de incerteza e mistério.
Um dos aspectos mais potentes do filme é a aceitação da trajetória temporal proposta pela linguagem dos alienígenas, o finalmente descoberto “presente para a humanidade”. Ao aprender a compreender a nova estrutura linguística, Louise também passa a perceber o tempo de forma não linear. Essa mudança altera não só sua relação com o mundo, mas também com suas próprias escolhas pessoais. Mesmo sabendo das dores que viverá, ela aceita o caminho que se revela à sua frente, o que confere à narrativa uma dimensão filosófica sobre destino, livre-arbítrio e aceitação da vida como ela é.
A Chegada é mais do que um filme sobre comunicação entre espécies; é uma história sobre a comunicação interna, sobre as barreiras que criamos entre nós mesmos e os outros. A trama provoca reflexões sobre solidão, solitude e união, mostrando que compreender o outro é também compreender o próprio tempo e as consequências de nossas escolhas. A união entre forma e conteúdo, aliada à delicadeza com que o enredo é conduzido, transforma o filme em uma experiência sensorial e emocional tocante no gênero da ficção científica.
Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Silveira, é um documentário profundamente comovente e politicamente essencial, que resgata as memórias da repressão política vivida durante a ditadura militar no Brasil (1964–1985), com foco especial no drama dos desaparecimentos forçados. Através de uma abordagem intimista e respeitosa, o filme revisita a história real da família Paiva, dilacerada pelo sequestro e desaparecimento de Rubens Paiva, ex-deputado federal cassado após o golpe de 1964.
A narrativa tem como ponto de partida a rotina da família, que vivia no Rio de Janeiro, marcada pelo afeto, pela liberdade e pela convivência generosa com os amigos. Essa aparente tranquilidade é violentamente interrompida quando Rubens é levado por agentes à paisana e jamais retorna. A partir de então, o documentário desloca seu foco para Eunice Paiva, esposa de Rubens, cuja trajetória se transforma em um retrato poderoso da dor e da resistência silenciosa.
O filme acompanha a difícil jornada de Eunice, que, diante da ausência do marido e da omissão do Estado, se vê obrigada a sustentar sozinha os cinco filhos, enfrentar a opressão e seguir na busca por respostas que nunca chegam. Sua dor é constante, mas não imobilizante: torna-se força para manter viva a memória do companheiro e denunciar o apagamento institucional promovido pelo regime militar.
Esse filme é sensacional e muito necessário - adoro filmes baseados na realidade - mas, esse nos faz refletir sobre o passado para repensar em quem iremos votar para nos representar nos dias de hoje.
DIE Welle
(Original) A Onda (em Português).
Direção de Dennis Gansel. Produção de Christian Becker e Martin Moszkowick.
Intérpretes: Jürgen Vogel, Frederic Lau e outros. Roteiro: Dennis Gansel e
Peter Thorwharth. Música: Heiko Maile. Alemanha: Constantin Film Produktion
Gmbh e Rat Pac Filmproduktion Gmbhk, 2008. (107 min.), son., color. Disponível
em: https://www.youtube.com/watch?v=zG3TfjAhs30&ab_channel=ALuzMcOficial
A onda (2008) é um filme ficcional alemão
que conta uma história real: o experimento social da Terceira Onda, realizado
pelo professor de história Ron Jones nos anos 70 em Palo Alto, EUA. No filme, o
professor colegial Rainer Wenger (Jürgen Vogel) é indicado para ministrar um
curso sobre autarquia (e não de anarquismo, como estava acostumado). Para
demonstrar a seus alunos (que não acreditavam na possibilidade da Alemanha
moderna voltar a ser nazista), Rainer propõem um experimento para mostrar como
fácil é manipular as massas.
O professor, então, exige ser tratado
por "Herr Wenger", muda as carteiras de lugar, colocando todos de
frente para ele e posicionando os alunos segundo suas notas, de modo que cada
dupla seja formado por um estudante com notas ruins e outro com notas boas. A
ideia é que uns aprendam com os outros. Além disso, todo aluno que quiser fazer
alguma colocação deverá levantar a mão e se expressar de forma militar. Para empoderar coletivamente os alunos, Rainer
faz uma marcha sem sair do lugar fazendo com que se sintam parte de uma única
entidade, incomodando a turma de anarquismo, que está na sala a baixo da deles.
Continuando o experimento, Rainer então sugere que todos os alunos do grupo
devem vestir uma camisa branca e calças jeans, para que não haja mais
distinções entre os alunos. Mona (Amelie Kiefer), uma aluna relutante a fazer
parte da proposta, diz que usar uniformes vai acabar com a individualidade de
cada um (e mais tarde troca de turma e passa a integrar a classe de
anarquismo). Outra aluna, Karo (Jennifer Ulrich) vai à aula do dia seguinte e
descobre ser a única a não aderir ao uniforme. Após uma rápida eleição, o nome
"A Onda" (Die Welle) é
escolhido. Além do nome, o grupo cria uma forma de saudação, que consiste em
imitar o movimento de uma onda com o braço direito em frente ao peito. Criam
também um símbolo, que é pichado por toda a cidade, inclusive na fachada do
prédio da prefeitura. Além disso, o grupo promove festas onde só membros do
grupo podem entrar, e alguns começam a hostilizar os não-iniciados.
A união do grupo altera o
comportamento de vários integrantes. Bomber (Maximilian Vollmar) é um badboy valentão
que passa de assediador a protetor de seu colega Tim (Frederick Lau). Tim é um
dos que mais envolvidos, pois pela primeira vez ele se sente aceito em um
grupo. Ele queima todas as suas roupas de marca e mais tarde aparece na casa de
Rainer, oferecendo-se para ser seu segurança. Apesar do professor recusar, o
rapaz dorme no quintal de sua casa. Sua esposa, Anke (Christiane Paul), também
uma professora da escola, acredita que a situação já foi longe demais e pede
para Rainer encerre o experimento. Ele, no entanto, a acusa de estar com inveja
por ele estar fazendo mais sucesso com os alunos do que ela. Ofendida, ela o
abandona.
Em virtude de uma briga generalizada
durante o jogo de polo aquático, Marco (Max Riemelt), briga com a namorada Karo
e a acusa de ter causado a briga que levou ao cancelamento da partida. Durante
o desentendimento, Marco bate em Karo e a faz sangrar. Percebendo o que fez,
ele vai até a casa de Rainer, onde pede que ele acabe com o movimento. Rainer
então convoca uma assembleia com todos os membros no auditório da escola. No
encontro, Rainer fecha as portas e discursa para os alunos, exaltando a atuação
da seita e enaltecendo suas chances mudar a Alemanha. Marco protesta e Rainer o
acusa de trair a confiança do grupo, pedindo que o tragam para o palco para ser
punido. Rainer então faz os alunos perceberem o quão longe foram e como estavam
sendo manipulados.
Inesperadamente, no entanto, Rainer decreta
o fim do experimento, afirmando que provou seu argumento principal: de que a
Alemanha pode voltar a se tornar um regime autoritário, mas Tim saca um
revólver, se recusa a aceitar que a seita acabe com medo de voltar a ser
sozinho e atira em sua própria boca. O filme termina com Rainer sendo levado preso
pela polícia, enquanto os alunos, seus pais e os professores (incluindo sua
esposa) o observam.
O filme retrata fielmente o processo
de formação de uma Seita. Uma história real, não apenas em relação ao
experimento escolar de Palo Alto, mas também de vários outros grupos que se
radicalizam em torno da construção de uma identidade coletiva, nos fazendo
pensar sobre como abrimos mão da individualidade em troca da aceitação.
A Seita é ‘uma manada que se destaca do rebanho’,
incluindo a maioria e excluindo alguns como “bodes expiatórios”,
despersonalizando os indivíduos em nome de uma identidade coletiva e de um
líder carismático. Há seitas religiosas, políticas e com temas culturais
específicos. Uma igreja dissidente, uma tendência de partido político, uma parte
da torcida esportiva podem degenerar para o fanatismo identitário e se tornar
uma seita.
As duas principais
características das seitas são: a liderança carismática-autoritária e as
crenças exclusivistas (as seitas frequentemente afirmam uma verdade singular
que as diferencia do resto da sociedade).
Há crenças explícitas e implícitas. Uma seita
budista declara a crença nas quatro nobres verdades e na senda óctupla, mas
suas crenças não declaradas (a impermanência, o “grande vazio”, a não
existência do eu) é que vão diferenciar sua identidade. Da mesma forma, poucos
adeptos da Biodanza leem Rolando Toro, mas todos acreditam que a prática é
capaz de “dissolver suas couraças”. A Bíblia e o Capital de Marx são livros
muito pouco lidos, mas muitos acreditam em vencer na vida pagando dízimo ou que
a revolução é uma fatalidade histórica. “Vestir a camisa” da Seita é abraçar
suas crenças não declaradas e até inconscientes. As crenças explícitas são
apenas para propaganda externa.
Outras duas
características secundárias importantes são o isolamento físico e psicológico dos
membros (da família e dos amigos que não participam da Seita) e o controle
rígido sobre comportamento, pensamento e até emoções, popularmente chamado de
“lavagem cerebral”.
Deste
último ponto, é possível também destacar alguns elementos simbólicos
importantes: os rituais (iniciações e celebrações) e as várias práticas
distintivas: o acolhimento afetivo como tática de recrutamento; a culpa e a
cobrança de gratidão como forma de manipulação permanente; e a visão dicotômica
do mundo dividido entre "nós" e "eles" (ZAGO, 2022)[1].
No entanto, a característica mais
visível é a exploração econômica dos membros. Em muitos casos, há demandas por
tempo, dinheiro ou trabalho excessivo em benefício do grupo e do líder, às
vezes sob a justificativa de um propósito maior. Na linguagem cotidiana,
"seita" muitas vezes carrega um tom pejorativo, associado a grupos
manipuladores que exploram seguidores emocionalmente, financeiramente ou até
fisicamente. A exploração, muitas vezes voluntária dos adeptos, leva a todo
tipo de abuso moral, sexual e a um regime de trabalho próximo ao da servidão. Essas
características (vistas no seu conjunto) variam em intensidade e nem todas
estão presentes em todos os grupos chamados de seitas.
Pela lógica tribalização/destribalização/retribalização
de McLuhan (1972), o ‘bando’ é pré-histórico; o grupo de indivíduos regrados e
disciplinados corresponde ao aspecto convencional da modernidade; e a Bolha é a
tribo virtual. Ser um indivíduo é uma conquista da modernidade e a Seita é um
passo atrás, um retorno ao bando.
O filme A Onda tem pelo menos duas contribuições importantes para uma
teoria da Seita: 1) minimiza o sistema de crenças explícito, a ideologia, como
fator de radicalização do processo de formação da identidade coletiva da Seita;
e 2) também minimiza a importância à exploração econômica da servidão
voluntária dos membros aos líderes e à organização.
Assim, o filme não considera
relevante justamente as duas características mais visíveis ao senso comum. Ao
invés de enfatizar a exploração, há referências ao empoderamento pessoal
resultante do trabalho coletivo, em que o resultado conjunto é superior à soma
das capacidades individuais graças ao papel do líder, gerente do capital
grupal. Já em relação às crenças inconscientes, destaca-se o papel do “bode
expiatório”, do inimigo externo ou do traidor. Aqui, ao contrário da situação
anterior, o resultado é menor que a soma das partes, pois são inibidos e
represados emoções, instintos e sentimentos. Assim, mais do que lucro ou
ideias, o importante é que haja um objeto de ódio para ser detestado e um
objeto de culto para ser amado.
Nessa perspectiva, os grupos operam em dois
regimes distintos: o diurno ou do grupo de trabalho (e de cooperação
consciente) e o regime noturno da emergência dos “pressupostos básicos” do
inconsciente arcaico estabelecendo sentimentos comuns aos indivíduos do grupo. “Pressupostos
Básicos” (BION, 1975) são padrões de comportamento coletivo – situações
emocionais arcaicas – que tendem a evitar a frustração inerente à aprendizagem
por experiência, quando esta implica em dor, esforço ou sofrimento.
Bion
identifica três tipos: dependência; acasalamento; e ataque e defesa diante do
inimigo. No pressuposto de dependência, o sentimento de proteção e de adoração
em relação aos líderes ou às divindades é representado pela relação autocrática
do professor com os alunos em sala de aula. O pressuposto do acasalamento
aparece nas festas e no sentimento de esperança no futuro da comunidade. E, no pressuposto de ataque e fuga diante do
inimigo, os sentimentos de medo e de raiva, são utilizados para constituição de
objetos de ódios e para formar uma unidade coesa no grupo.
Entre
os objetos de ódio, a configuração grupal arcaica mais importante é comumente
chamada de ‘bode expiatório’. É a “lata de lixo” emocional do grupo, em vários
níveis de intensidade. O mais leve é o ‘ajuste de conduta’ quando todos do
grupo debocham de um elemento em relação a algo em particular. Porém, quando o
indivíduo não se enquadra no comportamento do grupo começa um segundo nível de
ódio, em que, ao invés de forçar a inclusão da diferença pela adequação, deseja
excluí-la. É a ‘produção do transgressor’. O complexo de bode expiatório chega
ao seu ápice, o terceiro estágio, quando o grupo decide culpar o transgressor
de todas as adversidades pelas quais os outros elementos do grupo passam e,
então, o sacrificam para se purificarem de seus erros. E isso acontece muito
mais comum do que se imagina.
Outra
contribuição preciosa do filme é que a formação da ‘Onda’ oscila entre a Equipe
(os aspectos positivos) e a Gangue, quando a Seita comete crimes, como acontece
nas cenas da torcida organizada no jogo de polo aquático – e, em uma oitava
maior, durante toda narrativa. A Equipe (Goffman, 2021[2])
está ligada a alguma forma de performance coletiva (jogo, arte, trabalho), seus integrantes
desenvolvam certas habilidades psicológicas e competências subjetivas (além da
excelência das qualidades técnicas e artísticas), tais como: afinidade
emocional, capacidade de sincronia intuitiva, criatividade coletiva, improviso
em conjunto, tolerância com erros secundários e gentileza nas correções
necessárias. Essas mesmas habilidades também são necessárias para a produção
colaborativa em rede que envolvem vários tipos de artistas e técnicos.
A diferença entre o ‘grupo’
e a ‘equipe’ é que a última ultrapassa a soma das habilidades de seus
integrantes através da inteligência coletiva, da capacidade de interagir
criativamente em conjunto. Tanto a Gangue quanto a Equipe partilham da cumplicidade emocional das Seitas.
A lealdade emocional acima das regras, apesar de antidemocrática e
antirrepublicana, é o cimento da sociabilidade. A diferença da Equipe em
relação à Seita e à Gangue é o papel da família, das amizades e da comunidade.
Na equipe, a lealdade não implica no abandono das relações familiares e de
amizade.
A
comunidade é uma estrutura formada a partir da cooperação entre famílias. Não
se deve confundi-la com a horda ou com rebanho. Ao contrário, a família tem interesses
próprios e entra em oposição com a estrutura centralizadora e desigual da
seita. A comunidade provavelmente surgiu da institucionalização sedentária da
defesa dos interesses das crianças, mulheres e dos idosos em relação aos
objetivos nômades do rebanho. Então, desde o começo da sociabilização existiu
um conflito estrutural entre a família e os grupos formados por participação
voluntária.
Descrevemos o filme A Onda,
apontamos as principais características das seitas (o líder carismático, a
doutrina, as crenças inconscientes, o isolamento, o mundo dicotômico e a
exploração econômica). Ao contrário do senso comum, que vê a seita como um
conjunto de alienados explorados, detalhamos o processo de formação real,
oscilando entre o empoderamento de união e a administração dos objetos de ódio;
entre a excelência cooperativa das equipes e o uso criminoso da violência das
gangues.
Também ressaltamos a oposição estrutural entre a Família/Comunidade
e a Seita, pois mesmo que a última absorva a primeira, os interesses
sedentários se oporiam à mobilidade dos objetivos táticos do grupo.
Todos temos um sentimento de
incompletude, um desejo de união a algo maior que a soma dos esforços isolados,
uma compulsão gregária pela Utopia. Fazer parte de alguma coisa significativa,
que faça a diferença, empodera e dá segurança. Mas também exige cuidado e
controle, pede que sejamos menos do que somos – o que cria um inconsciente
grupal cheio de resistências fraternas, inimigos externos e traidores.
Referências
BION, W. R. Experiências com
grupos. Rio de Janeiro: Imago; São Paulo: EDUSP, 1975.
GOFFMAN,
Erving. Manicômios, Prisões e Conventos.
Tradução de Dante Moreira. Leite. 7ª edição. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.
MCLUHAN,
Marshall. A galáxia de Gutenberg. A
formação do homem tipográfico. São Paulo: Cia Ed. Nacional e EDUSP, 1972
[2]
Outro conceito correlato é o de ‘Instituição Total”, organização fechada de
confinamento de um grande número de pessoas em que todos os aspectos da vida
social (aprendizado, trabalho, residência) ocorrem no mesmo local. Há seitas
que nascem de propostas de instituições totais em que a sustentação econômica,
a representação política e a vida cultural coincidem na mesma organização.
Rio Quarenta Graus é um filme brasileiro de 1955, com roteiro e direção de Nelson Pereira dos Santos. É considerada a obra inspiradora do cinema novo, movimento estético e cultural que pretendia mostrar a realidade brasileira.
Vidas Secas - Baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos, o filme acompanha uma família de retirantes que tenta escapar da seca no sertão nordestino. Fabiano, Sinhá Vitória, seus dois filhos e a cachorrinha Baleia vagam sem destino e já quase sem esperanças pelos confins do sertão, sobrevivendo às forças da natureza e à crueldade dos homens.
Assalto ao Trem pagador é um filme brasileiro de 1962, do gênero policial, dirigido por Roberto Farias. Baseado numa história real, o filme retrata o famoso assalto ocorrido contra o trem de pagamentos da Estrada de Ferro Central do Brasil, que aconteceu às 08h30min do dia 14 de junho de 1960, nas proximidades da Estação Japeri (em Japeri, RJ), no km 71 do extinto trecho da Linha Auxiliar da E.F. Central do Brasil que ligava a Estação Japeri à Estação Botais, em Miguel Pereira (RJ).
O pagador de promessa - Baseado na peça teatral homônima do dramaturgo Dias Gomes, é até hoje o único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro, prêmio máximo de Cannes. O Pagador de Promessas também se tornou o primeiro filme da América do Sul a ser indicado ao Oscar de Melhor filme estrangeiro em 1963.
Barravento é o primeiro longa-metragem dirigido por Glauber Rocha. É um filme de 1962, do gênero drama. A história acompanha um ex-pescador que volta à aldeiazinha em que foi criado para tentar livrar o povo do domínio da religião. Filmagens na praia do Buraquinho em Itapuã na Bahia.
Deus e o Diabo na Terra do Sol é um filme brasileiro de 1964, do gênero drama, dirigido por Glauber Rocha. Considerado um marco do cinema novo, foi gravado em Monte Santo, Bahia.
O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, é um filme brasileiro de 1969, do gênero aventura e western, dirigido por Glauber Rocha. O título faz referência à lenda da luta de São Jorge contra um dragão que assolava um vilarejo que visitou.
Os fuzis é um filme brasileiro e argentino de 1964, do gênero drama, dirigido por Ruy Guerra. Um grupo de soldados é enviado ao nordeste do Brasil para impedir que cidadãos pobres saqueiem armazéns por causa da fome. Juntamente com Vidas Secas, de Nélson Pereira dos Santos, e Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Gláuber Rocha, este filme faz parte da chamada "trilogia de ouro" do Cinema Novo.
Cinco vezes Favela é um filme brasileiro de 1962. O filme apresenta cinco histórias separadas, cada uma delas com diferentes diretores: Marcos Farias, Miguel Borges, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman. Com produção de Leon Hirszman, Marcos Farias e Paulo Cezar Saraceni e, como produtora o Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes. Trilha sonora composta por Carlos Lyra. https://youtu.be/JTcisAwgMM8
Boca de Ouro é um filme brasileiro de 1963, do gênero drama, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, com roteiro baseado em peça teatral de Nelson Rodrigues. O filme conta a história de um bicheiro assassinado, e a tentativa de um repórter em relatar a sua vida a partir do depoimento de uma de suas amantes. As lendas sobre o bicheiro, dentre outras coisas, revelavam que ele usava uma dentadura de ouro. https://youtu.be/AhowL-Iwk-k
O desafio é um filme de 1965 que marcou o cinema novo, dirigido por Paulo César Saraceni, com roteiro de Nelson Xavier e produção de Sérgio Saraceni. Por tratar do romance entre a mulher de um rico industrial, Ada e Marcelo (Vianinha), um estudante de esquerda, foi entendido como apologia do amor entre as classes.
A grande cidade é um filme brasileiro de drama de 1966, dirigido por Cacá Diegues. O subtítulo é "As aventuras e desventuras de Luzia e seus 3 amigos chegados de longe". Músicas de Heckel Tavares, Ernesto Nazareth, Villa Lobos e Zé Kéti (compositor do tema "A grande cidade"). Direção musical de Moacir Santos e produção de Zelito Viana.
Terra em transe é um filme brasileiro de 1967, do gênero drama, roteirizado e dirigido por Glauber Rocha e coproduzido pela Mapa Filmes do Brasil. Em novembro de 2015 o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.
A falecida é um filme brasileiro do gênero drama de 1965, dirigido por Leon Hirszman. Baseado na obra homônima de Nelson Rodrigues, o filme tem roteiro de Leon Hirszman e do documentarista Eduardo Coutinho. É o primeiro filme de Fernanda Montenegro.
O amuleto de Ogum é um filme brasileiro de 1974 dirigido por Nelson Pereira dos Santos, com trilha sonora de Jards Macalé.Violeiro cego conta (canta) a história de um menino cujo pai e irmão foram assassinados e que, a pedido da mãe, vai a um terreiro de umbanda para "fechar o corpo" (proteger-se pelos espíritos). Crescido, envolve-se com o crime e a contravenção na Baixada Fluminense, até que se envolve com amante do bicheiro e é jurado de morte — mas conta com a proteção do amuleto de Ogum.
Macunaima é um filme brasileiro, de 1969, do gênero comédia e fantasia, escrito e dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, baseado na obra homônima de Mário de Andrade. Em novembro de 2015 o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.
Como era gostoso meu francês é um filme brasileiro de 1971, do gênero aventura, dirigido por Nelson Pereira dos Santos. No Brasil, em 1594, um aventureiro francês com conhecimentos de artilharia é feito prisioneiro dos Tupinambás. Segundo a cultura índigena, era preciso devorar o inimigo para adquirir todos os seus poderes: saber utilizar a pólvora e os canhões.
O Bandido da Luz Vermelha é um filme brasileiro de 1968, do gênero policial, dirigido por Rogério Sganzerla. Inspirado nos crimes do famoso assaltante João Acácio Pereira da Costa, apelidado de "Bandido da Luz Vermelha". Este filme é também classificado como cinema marginal (ou 'undigrudi', em referência a palavra underground).
Toda Nudez Será Castigada é um filme brasileiro lançado em dezembro de 1972, dirigido por Arnaldo Jabor, e produzido pela Produções Cinematográficas Roberto Farias, baseado na peça de teatro homônima de Nelson Rodrigues. A interpretação dos diálogos são o ponto alto do trabalho.
O filme mais importante da Vera Cruz foi O Cangaceiro (1953) escrito e dirigido por Lima Barreto, com diálogos criados por Rachel de Queiroz.
Vera Cruz faliu e, no Rio, a Cinédia deu lugar à Atlântida e as comédias musicais chamadas de chanchadas. O documentário de Carlos Manga, Assim era Atlântida (1972) é uma síntese da produção desse estúdio.