sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Fórmula 1 na Netflix

 F1: Dirigir para Viver


Guilherme Tavares

A série F1: Dirigir para viver (Disponível no Netflix) foi produzida pelo James Gay-Rees (mesmo criador do documentário sobre a carreira do Ayrton Senna) com parceria da Liberty Media, dona dos direitos da Formula 1, que cedeu imagens incríveis dos bastidores das corridas de toda a temporada 2018.

Quem assiste a série esperando ver apenas corridas se surpreende logo de início. O foco aqui é outro. A ideia dos produtores é trazer quem assiste para dentro do mundo da F1, dentro dos bastidores, os boxes e cockpits. A série possui 10 capítulos, um mais envolvente que o outro, podendo facilmente serem assistidos em apenas um dia.

O tom narrativo e dramático traz um toque especial, apimenta as disputas internas das equipes, evidencia confrontos antigos de pilotos em categorias mais baixas, além de homenagear um dos maiores ícones do mundo automobilístico, Charlie Whiting, dirigente da Williams por várias décadas e faleceu recentemente deixando seu legado na F1.

Um ponto negativo é a falta de um foco no funcionamento dos eventos em si. A série mostra as histórias dos pilotos, mas esquece um pouco de quem faz acontecer as corridas, como juízes, diretores de provas, funcionários que participam da montagem dos circuitos e etc.

O que fica no final é: F1: Dirigir Para Viver mostra com maestria o que ocorre por trás dos motores, dos carros super tecnológicos, dos contratos de patrocínios e publicidades e das negociações de contratos dos pilotos, enfim, mostra o mundo desses pilotos e tudo que eles passam durante as temporadas, precisando se superar a cada dia para continuarem fazendo parte do seleto grupo dos 20 pilotos mais rápidos do mundo.

O jornalismo visto pelo cinema 4


Resenha do Filme: A Montanha dos Sete Abutres (WILDER, Billy; 1951) 


Maurílio Pinto de Medeiros Neto

Lançado nos Estados Unidos, o filme “A Montanha dos Sete Abutres” se constitui um primoroso trabalho acerca do universo jornalístico. A obra expõe o quão parcial e antiético um jornalista pode ser. O protagonista Charles Tatum, interpretado brilhantemente por Kirk Douglas, revela-se um profissional ambicioso o qual não apresenta compromisso com a veracidade dos fatos, mas sim com o futuro sucesso da pauta. Pôde-se notar, portanto, a atemporalidade da obra, visto que as questões expostas continuam a se perpetuar em nossa sociedade.
Leo Minosa, o dono de um posto de gasolina, fica soterrado em uma caverna da “montanha dos sete abutres”, a qual servira de tumba a antepassados indígenas. Diante disso, Tatum arma espetaculariza o fato, chantageando autoridades locais e retardando em dias um resgate que poderia ser feito em poucas horas. Demonstra-se, pois, a negligência quanto à ética no labor desse profissional. 
O filme se revela um exemplo acerca da produção de fatos no mundo jornalístico. Quando Tatum chantageia o xerife, que por sua vez chantageia o engenheiro responsável pelo resgate para que use o método mais demorado no salvamento de Leo, está, simplesmente, pensando no rendimento de sua história. Utilizando-se do pequeno jornal em que escreve, Tatum controla e envolve desde a inescrupulosa mulher de Leo até o xerife ambicioso preocupado com a reeleição.
É também um bom exemplo de como o público pode reagir frente a situações de extrema comoção, especialmente quando veiculadas à exaustão pela mídia. À medida em que o fato ganhava importância, mais as pessoas se aglomeravam ao redor da montanha nos dias subseqüentes. Com isso, Billy Wilder percebe o processo de aproximação do público em relação à celebridade, no caso o homem preso na caverna. O público se sente próximo de Minosa. 
O lucro que surge do comércio e da publicidade da situação também são expostos. Há a instalação de um parque de diversões próximo à montanha. A cidade de Escudero, antes pacata, transforma-se em um centro de atração nacional. A trama de Tatum começa a originar frutos e a sua determinação torna-se ainda mais forte em produzir maiores efeitos à cena. Para conseguir tais efeitos, Tatum mostra-se disposto a fazer um pacto com o xerife da cidade e com Lorrane. A atoridade policial propõe a garantia de respaldo político em sua reeleição por meio de matérias que o tornassem “herói”, pois a sua reputação era marcada pela corrupção. Em troca, este garantiria a sua exclusividade na cobertura do acidente, impedindo que outros jornalistas tivessem acesso à vítima.  
           Tatum e o xerife aconselham o engenheiro responsável pela operação a buscar uma forma mais demorada de salvar Minosa. A equipe de salvamento começa a utilizar técnicas que possam oferecer o tempo necessário para que o jornalista engrandeça a matéria. No entanto, Minosa adoece e começa a mostrar que não resistirá ao tempo imposto e planejado por Tatum para que ele se mantivesse vivo. Tatum começa a perceber que a situação foge ao seu controle e tenta salvar de qualquer maneira a vida de Minosa.
           Uma reviravolta na cabeça de Tatum passa a entrar em cena: a ética, deixada de lado devido a motivações sensacionalistas, começa a perturbar a consciência do repórter. Após o falecimento de Minosa, O destino do jornalista se mostra trágico. Tomado pela ambição e pelo sensacionalismo, perdeu seus princípios humanos. “O que você acha de ganhar mil dólares por dia? Eu valho mil por dia… Pode ficar comigo por nada!” – esta foi a última conclusão de Charles Tatum, jornalista decadente, sendo derrubado pelos vícios inescrupulosos de maquiar a realidade segundo a sua própria vontade.
         Percebe-se, enfim, a temporalidade do primoroso trabalho do diretor austríaco acerca do universo jornalístico. As questões expostas pelo obra continuam a se perpetuar na sociedade atual, possibilitando ao espectador a compreensão da produção de notícias e do cotidiano do mundo jornalístico. Conta ainda com brilhantes atuações que renderam importantes premiações do cinema mundial.  


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Você conhece o JUFS?

Seleção de futebol da UFRN organiza Campeonato de Futebol Universitário no início de dezembro.

A Universidade federal do Rio Grande do Norte receberá a I Copa Universitária de Futebol. A competição terá início sexta, 6 de dezembro, no campo da UFRN, e vai contar com a participação de 4 equipes. 2 do RN (UFRN e UFERSA) e 2 do Pernambuco (UFPE e UFRPE). No total, 120 alunos estarão envolvidos no evento.

O foco da copa é preencher o calendário de competições universitárias das equipes de futebol das universidades, que tiveram como última competição, o Jogos Brasileiros Universitários de Futebol de Campo (JUBS Futebol) em maio, na cidade de Caruaru-PE. Segundo Otávio de Souza, gestor técnico da equipe da casa e organizador do evento, A copa servirá como preparação para a equipe da UFRN para o JUBS de 2020, com local a definir, além de preencher uma lacuna deixada pelos Jogos das Universidades Federais de campo (JUFS) que ocorreria no mês de outubro na cidade de Maceió, mas foi cancelado devido ao corte de verbas das universidades.

- O JUFS de campo iria acontecer, como aconteceu o de diversas modalidades como futsal, handebol, basquete e vôlei, mas foi cancelado por falta de verbas. Com isso, o ano das equipes de futebol das federais praticamente acabou. A última competição foi no semestre passado. Isso desestimula os atletas, não ter competições para disputar. Por isso, decidimos organizar esse torneio para movimentar nossas equipes e iniciar a preparação para o próximo ano, já que as competições da CBDU ocorrem ainda no primeiro semestre do ano. - falou Otávio de Souza.

A competição ocorrerá entre os dias 6 e 8 de dezembro em sistema de quadrangular, onde todos enfrentaram todos e o campeão será conhecido em pontos corridos. A equipe da casa espera sair campeã e manter o troféu em terras potiguares.

- A ideia é evoluir a competição nos próximos anos, convidar mais equipes para disputar e quem sabe, se tornar uma competição tradicional no calendário das Universidades do Nordeste. Assim, esperamos levar o titulo nesse primeiro ano, para mantermos na história que a UFRN foi a primeira campeã desse torneio. – Finalizou Otávio.

Quem quiser acompanhar o torneio, poderá comparecer ao campo da UFRN que terá entrada gratuita, além da cobertura em tempo real pelas redes sociais da equipe norte-rio-grandense (Seleção de Futebol UFRN) e a transmissão dos jogos ao vivo através do Instagram da UFRPE (Vestiário DEFIS). A tabela será divulgada na semana da competição, também pelas redes sociais.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

comportamento selvagem




Clube da Luta

Eduardo Fernandes da Silva

O filme é uma adaptação para o cinema de um romance de Chuck Palahniuk, e foi lançado em 1999. Retrata um personagem que tem conflitos mentais, sofre de bastante insônia e que está cheio de sua rotina “comum” em meio ao capitalismo, até que se depara com tyler, a sua aflorada futura realidade.
O filme já começa no climax, digamos, que já inverte as maneiras comuns de narrativas lineares, porém, ao final do filme, isso ficará claro na cabeça de quem assiste.
  A visão ideológica do filme é forte, para quem se coloca na cabeça do personagem central, o “narrador”, que busca nos primeiros momentos se livrar do seu atual modo de vida, ao ponto que literalmente a narrativa possui duas camadas, duas personalidades, dois modos de enxergar a vida, que vai consumindo uma por outra, aos poucos. E essas camadas fazem críticas, mas ao mesmo tempo, reforçam diferentes formas de ideologia, porém o “narrador” irá transgredir para uma forma ideológica, mais visceral e violenta - na procura de sua liberdade, trazendo uma tendência de vouyerismo para os espectadores, que possivelmente não se conformam com o capitalismo vigente, na realidade, e no filme – se livrar de uma ideologia para alcançar outra.
Diante disso surgem questões como: onde está a responsabilidade do criador de tal obra, visando as implicações éticas de seu filme?
A obra foi considerada um fiasco de bilheterias quando foi lançando, porém, hoje é visto por muitos, como uma obra cult atual. Essas considerações, estão na forma em que o autor poetizou a questão da violência e problematizou o capitalismo, ou simplesmente mostrou que há violência nas duas coisas, sendo que uma é mais física do que a outra.
 A Genealogia da Moral de Nietzsche, mostra que os conceitos e valores tradicionais da moral não são universais e nem estabelecidos de forma objetiva e ainda propõe uma “transvaloração de todos os valores”, definindo seu pensamento acima do bem e do mal, fazendo crítica ao modernismo e tentando ressaltar que a ética não tem base na razão. Ao meu ver, o pensando Nietzschiano está intrinsecamente ligado a composição desse filme afinal como ele dizia, “ O que não me faz morrer me torna mais forte”. O “narrador” vai destruindo seu outro lado, afinal, estaria ele destruindo a si mesmo, pensando que destruiria seu lado de modismos capitalistas liberando sua raiva interior, ou trazendo a tona novos vícios, porém não padronizados na sociedade, ele tenta superar a ele mesmo, porém falha.
Em torno da contemporaneidade do filme, a complexidade da narrativa, implica subjetividade em torno das opiniões sobre as sociedades pós modernas e a identidade que vai tornando-se cada vez mais frágil e instável, como é o caso do “narrador”, que mesmo aos poucos alcançando seu modo ideal de viver continua instável e com problemas psicossociais, transformando, assim, uma ilusão, a sua transgressão. 

o percurso de uma mudança

Marília Mendonça, de “Amante sem lar” a senhora do Spotify.

Por Adri Torquato.

Marília Mendonça é a artista brasileira mais bem colocada na principal referência de sucesso mundial,a plataforma Spotify, tal posição rendeu a cantora a quantia de 4,2 milhões de dólares, o equivalente aproximadamente a 16, 8 milhões de reais. Todavia, a trajetória musical da cantora não passa despercebida a um olhar mais atento sobre um dos nossos traços culturais mais antigos e perversos,o olhar da sociedade sobre as mulheres.

Mendonça iniciou  sua carreira na internet com letras de moça livre e “empoderada”, sem ligar muito para o que outros diziam do seu comportamento, nem tampouco do número do seu manequim, já que a sua imagem  robusta também fugia dos padrões. Porém,essa performance cheia de estilo e atitude não lhe trouxe o sucesso e reconhecimento artístico a altura do seu talento, já que  abraçara   o  gênero musical sertanejo, de origem agrária e conservadora. Eram necessários “ajustes”. Foram feitos. De “moderninha” à sofredora. Mudado o repertório e a personalidade veio o seu primeiro grande sucesso nacional, “amante não tem lar”.

A letra da música cuja temática é uma traição, conta a história do envolvimento de uma moça solteira com um homem comprometido onde ela cheia de sentimentos de autopunição e culpa assume inteiramente a responsabilidade pelo caso amoroso, mesmo sem ser a figura jurídica impossibilitada de envolver-se com outra pessoa, no caso, o homem casado. “Só vim me desculpar / Eu não vou demorar / Não vou tentar ser sua amiga / Pois sei que não dá / Você vai me odiar / Mas eu vim te contar / Que faz um tempo / Eu me meti no meio do seu lar.”

Há uma autoculpabilização e a fala da personagem feminina mostra uma visão depreciativa sobre si, declarando os danos causados à família do homem traidor: “Ele te ama de verdade / E a culpa foi minha / Minha responsabilidade eu vou resolver / Não quero atrapalhar você”.

“E o preço que eu pago / É nunca ser amada de verdade / Ninguém me respeita nessa cidade / Amante não tem lar / Amante nunca vai casar”. Esse é o refrão da música, repetido à exaustão pelas fãs da artista que lotam os seus shows.

Ao afirmar a preocupação sobre a sua reputação, dizendo que não será mais digna de respeito e amor e não conseguirá se casar em razão disso, exclui-se do círculo de respeitabilidade das mulheres casadas que usam aliança e véu e confirma o julgamento moral predominante da condição de marginalidade da mulher solteira que se envolve com um homem casado, tornando-se uma escória da sociedade patriarcal.

Sobre a representação da instituição do casamento, revisitamos a escritora francesa Simone de Beauvoir quando diz: “Abrem-se as fábricas, os escritórios, as faculdades às mulheres, mas continua-se a considerar que o casamento é para elas uma carreira das mais honrosas e que a dispensa de qualquer outra participação na vida coletiva.”

É interessante observar que sob o aspecto jurídico o mais implicado na música seria o personagem masculino, já que este era casado, portanto, sem disponibilidade jurídica e social para um envolvimento extraconjugal. Todavia, toda a reprovação e autocensura recaíram no feminino.

A música é um exemplo da violência simbólica em relação à dominação masculina sobre as mulheres. Porém, muito mais do que a narrativa de um drama amoroso e um coração partido canta a enorme dificuldade de uma sociedade em lidar com os seus próprios avanços. Contudo, essa foi a estratégia vitoriosa que fez com que a sua intérprete se casasse de “papel passado” com o seu público, e com comunhão de bens.