terça-feira, 16 de junho de 2026

O Diabo Veste Prada 2

 Ana Cecília da Silva Souza


Anunciado quase vinte anos após o sucesso do original, O Diabo Veste Prada 2 retomou ao universo criado por Lauren Weisberger. A trama acompanha Miranda Priestly, ainda à frente da revista Runway, agora enfrentando a decadência do império das revistas impressas e a ascensão de uma nova lógica de consumo de moda. Em paralelo, Andy Sachs retorna à narrativa em uma nova fase da carreira, consolidada profissionalmente, mas novamente atraída para a órbita da antiga chefe. O filme tenta equilibrar nostalgia e atuação temática, apostando menos na comédia de transformação pessoal e mais em um drama sobre poder, legado e adaptação.

O roteiro entende que o sucesso do primeiro filme não estava apenas no universo da moda ou nas falas marcantes de Miranda, mas também no conflito vivido por Andy entre crescer profissionalmente e manter sua própria identidade. Nesta sequência, as personagens aparecem em momentos diferentes da vida. Andy já não é mais a jovem insegura do primeiro filme, enquanto Miranda precisa lidar com um mercado que mudou e que já não funciona da mesma forma de antes.

Apesar de trazer conflitos interessantes, o filme se perde em alguns momentos da própria narrativa. Grande parte da trama gira em torno de Andy precisando reconquistar a confiança de Miranda, o que acaba dando a sensação de que a personagem retrocedeu depois de toda a evolução apresentada no primeiro filme. Enquanto isso, a disputa nos bastidores para derrubar Miranda cria uma tensão que demora muito para avançar e rende diversas cenas que poderiam ser mais objetivas.

O roteiro abre várias linhas narrativas ao longo da história, mas nem todas recebem uma conclusão. Com isso, o filme acaba ficando mais longo do que precisava e, em alguns momentos até arrastado. Embora os reencontros entre as personagens principais sustentem o interesse do público, a narrativa demora para chegar ao ponto e deixa algumas questões sem resposta quando os créditos sobem.O ponto mais forte do filme continua sendo a relação entre Miranda e Andy.

Meryl Streep mostra mais uma vez porque a personagem se tornou tão marcante, entregando uma Miranda firme e intimidadora, mas também mais vulnerável do que no primeiro filme. Desta vez, a personagem precisa lidar com mudanças que fogem do seu controle e com a possibilidade de perder o espaço que construiu ao longo da carreira. Anne Hathaway também convence ao interpretar uma Andy mais madura, embora o roteiro a coloque novamente em uma posição de dependência em relação à antiga chefe. Ainda assim, os encontros entre as duas são os momentos mais interessantes da trama e sustentam boa parte do filme.

No final, O Diabo Veste Prada 2 funciona mais por causa dos seus personagens do que pela história que constrói. O filme traz reflexões interessantes sobre carreira, poder e envelhecimento, principalmente através de Miranda, mas tem dificuldade em desenvolver todos os conflitos que apresenta. Algumas tramas ficam sem uma conclusão satisfatória e o ritmo arrastado prejudica o impacto de determinados acontecimentos. Mesmo assim, a sequência consegue despertar a nostalgia dos fãs e entregar momentos emocionantes, ainda que não alcance o mesmo brilho e a mesma força do filme original.

Nenhum comentário:

Postar um comentário