O filme Little Women, traduzido como Adoráveis Mulheres, foi lançado em 2019 pela diretora Greta Gerwig e é mais uma das várias adaptações do livro “Mulherzinhas” da escritora Louisa May Alcott. A história apresenta a vida das 4 irmãs March, Jo (Saoirse Ronan), Amy (Florence Pugh), Meg (Emma Watson) e Beth (Eliza Scanlen) contada com sensibilidade e intimidade como se fosse um diário das vivências da família.
A história, apesar de ocorrer em meados de 1860, é abordada de forma bastante atual com o olhar que Greta aderiu para a obra, tirando o que poderia ser mais um filme de época com probabilidade de se tornar “arrastado” e adicionando atemporalidade e dinamicidade para a trama.
A diretora também traz uma fotografia e temporalidade da ordem dos fatos muito interessante e bastante conectada com a história ao utilizar colorações mais quentes para cenas do passado e tons mais frios para os momentos do presente, mostrando o sentimento de nostalgia e felicidade para as situações da juventude. Isso mostra a liberdade que Greta teve ao construir a história diferente do que foi escrita. Ainda ligada a fotografia, também é possível perceber a conexão da sonoplastia com o que as situações, juntamente com a colorimetria, transmitem para o telespectador, trazendo suavidade e animação para as cenas do passado, ou seja, mais quentes e melancolia para as do presente, então tons mais frios como citado anteriormente.
Pelo filme utilizar de uma temporalidade despadronizada, também é possível perceber o Paralelismo, abordado na obra “A arte do cinema: uma introdução” de David Bordwell e Kristin Thompson. Essa forma de narrativa tem como objetivo utilizar comparativos em ações, escolhas e cenas entre personagens e sem dúvidas, a diretora faz bastante uso desse formato ao “brincar” com essas trilhas sonoras, cores e cenas do passado que tem referência ou similaridades no presente, o que já contribui para um diferencial não só entre as próprias adaptações já feitas do livro, mas também sai do tradicional que é produzido na indústria cinematográfica.
O elenco, que não deve ter sido barato, faz compensar com a entrega espetacular dos atores que não só faz o telespectador se sentir parte daquela vivência, mas também faz sofrer e torcer pelo sucesso dos personagens. Apesar do claro protagonismo da Jo, é notório que ainda sim cada um dos participantes conseguiu ter seu destaque com o desenvolvimento e atuação.
O final do filme traz uma quebra de expectativa ao ser um final aberto saindo do que o livro aborda e sendo totalmente realizado por escolha da Greta. Quando a obra é finalizada o telespectador não sabe se aquilo que foi apresentado realmente aconteceu ou se foi uma realidade alternativa acrescentada pela diretora que, para alguns, não foi bem aceita.
Mas mesmo com em média 7 adaptações da história para as telas, por que a Greta teve tanto destaque? Todas essas mudanças e liberdade que construiu em seu filme alteraram a essência do livro ou potencializam o que era bom? Será que o final em aberto escolhido pela diretora foi a melhor escolha? Apesar desses questionamentos não se pode negar que é sim um filme cativante, mesmo sendo de época traz apontamentos e inovações que persistem até hoje.

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