Rebeca Marinho de Oliveira
Ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2025, Anora foi escrito e dirigido pelo cineasta Sean Baker e narra a história de uma stripper, interpretada por Mikey Madison, que, durante uma noite de trabalho, conhece Ivan, filho de um oligarca russo e vivido pelo ator Mark Eydelshteyn. Em poucas semanas, os dois se casam e passam a viver uma relação conjugal que, à primeira vista, parece capaz de transformar a situação experimentada pela protagonista.
Ambientado em Nova Iorque, o filme transita entre a pobre realidade de Anora e a vida milionária de Ivan, regada por bebidas, festas e privilégios. Essa dualidade social é bem retratada pela direção, que utiliza cenários luxuosos para evidenciar o contraste entre os dois mundos e reforçar o abismo que separa os personagens, apesar da relação que estão tentando construir.
No entanto, quando a família rica de Ivan descobre sobre o casamento, a vida dos pombinhos começa a desandar, e o filme também. Os ataques de chilique do infantil e mimado Ivan ocupam o centro da trama e dão nos nervos de quem assiste. O pobre menino rico entra em desespero e foge. Assim, o filme passa a girar em torno de Anora e os capangas dos pais do rapaz em busca dele por todos os lugares da cidade.
Nesse momento, a história perde boa parte do encanto construído inicialmente e se torna repetitivo em diversos trechos. A imaturidade de Ivan acaba desgastando a experiência do espectador, ainda que as cenas sirvam para evidenciar a incapacidade do garoto em assumir as próprias responsabilidades. Se a protagonista pensava que estava segura emocionalmente e financeiramente com seu enlace, percebeu que, na verdade, se casou com um idiota.
Os momentos de intimidade entre os protagonistas também revelam muito sobre a natureza da relação. O que parecia uma história de amor, na verdade, era uma relação baseada em projeções irreais. Para Ivan, Anora representou apenas a realização temporária de um desejo, enquanto isso, para ela, o casamento surgiu como uma oportunidade de escapar da instabilidade que paira em sua vida. Ainda assim, Anora consegue transmitir uma reflexão sobre a fragilidade das atuais relações e sobre como alguns enxergam os vínculos afetivos como transações comerciais. Ao final, o casamento é desfeito e Ivan retorna sem grandes prejuízos à proteção oferecida por sua posição social, enquanto Anora permanece sozinha para lidar com as consequências emocionais de uma experiência que, por um breve momento, pareceu representar a possibilidade de uma nova vida.

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