terça-feira, 9 de junho de 2026

O conto da aia

 

O conto da Aia

Maria Eduarda Galdino Dantas

A série “O conto da Aia” baseada no livro originalmente com o título de “The handmaind’s tale”, traz a história de um futuro distópico em que a taxa de fatalidade caiu abruptamente, e o governo nos Estados Unidos se torna um novo país com o nome de Giliarde, com mulheres oprimidas, divisões sociais entre comandantes, esposas, aias, marthas, guardiões, tias e outros. Esse governo usa da religião cristã com trechos bíblicos distorcidos e do patriarcado para governar uma nação inteira, com a desculpa de continuar gerando filhos para o mundo com as últimas mulheres férteis que restaram.

A história central fala de June, uma aia, que antes desse governo tinha uma família e tinha seu emprego, mas com a chegada desse regime tudo lhe foi tirado, por ela ainda ser fértil foi capturada para ser uma aia. As aias na visão de Giliarde são pecadoras que tem sua chance de se redimir gerando filhos para comandantes e suas esposas, em que o comandante a engravida e ao nascer
ela lhe dá o filho que foi gerado, e passa para outro comandante.

Ainda não terminei a série, estou na metade da terceira temporada, mas a serie consegue nos mostrar perfeitamente como o sistema pode usar das próprias mulheres para oprimir umas as outras, a realidade da série nos assusta por acabarmos encontrando algumas semelhanças com nossa realidade, como a política de extrema direita cristã, a perda do direito das mulheres em muitos países, o controle do governo sobre o corpo das mulheres. A serie não nos polpa de ver cenas desconfortáveis como a cenas de abuso sexual e de enforcamento, a fim de nos dar um choque sobre como serie nesse futuro distopico controlado por homens, religião e opressão, onde alguma das próprias mulheres ajudaram a contribuir para sua “prisão” no sistema.

A fotografia da serie é muito bem elaborada, em alguns momentos com muitos tons de vermelho, cor da roupa das aias, ênfase no branco, cor do chapéu das aias e algumas salas mostradas na série, fotografia encantadora e em sincronia com as cenas. Apesar da história nos prender, por ficarmos cada vez mais curiosos para saber como as mulheres irão se livrar daquele governo, mas há cenas que nos enoja e nos obriga a passa-la.

A cena em específico de quando uma aia é abusada sexualmente mesmo já estando gravida, para induzi-la de forma mais rápida ao parto, ao pesquisar sobre o livro, descobri que originalmente isso não acontece, foi uma cena desnecessária e desconfortável de assistir, nem se quer assistir, pulei essa parte, ver a aia implorando para pararem e em seguida ficar isolada em estado de
negação pelo que lhe aconteceu. É uma cena que poderia ter sido evitada, e fazerem como no livro em que lhe agridem de forma psicológica, mas não fisicamente.

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